Foi inaugurada a 29a Bienal de São Paulo, que, poderia ter acontecido nos anos 90...
A Bienal do Vazio (texto neste mesmo blog). é passado, mas não parece ter funcionado como "divisora de águas", como preconizavam alguns. O que se vê nesta Bienal é a tradicional montagem de grandes caixotes a abrigar incontáveis vídeos; muita foto, um "bricabraquismo" latente, graças à eterna crítica sobre a sociedade de consumo; grandes painéis, grandes estruturas e grande número de artistas participantes... o mercado brasileiro está aquecido, ora pois!
Sim, esta parece ser a Bienal do recurso público aplicado, estamos fazendo bonito depois do vexame excelente do Vazio.
Algumas obras já estão dando o que falar como os desenhos do artista pernambucano Gil Vicente, que se desenhou subjugando grandes líderes num delírio de fazer justiça com as próprias mãos - delírio fantástico, portanto, não pertencente ao âmbito do real, mas que impressiona como qualquer idéia potente. Será que esses trabalhos resistirão à censura dos grandes poderes permanecendo expostos até o final?
Abaixo, publico umas fotos de um dos "trabalhos de pixo" inclusos nessa mostra... que pode se tornar cabível, limpo e determinado. Isso sim é chocante. Talvez seja o que há de mais chocante nessa bienal... E há quem ainda fique espantado com o desenhar de um violência (no caso de Gil Vicente), sem se ater à violência que existe no esvaziamento, na institucionalização das expressões marginais. O pixo está lá "apropriado" como índio de terno em palanque. E é de uma tristeza surpreendentemente constrangedora.
Em breve publico mais texto sobre a Bienal e fotinhos tiradas num passeio pela montagem da mostra. Aliás, as fotos foram feitas com celular, por isso a pouca qualidade. No caso dos desenhos de Gil Vicente, há até reflexos "impressos" de luzes brancas que não pertencem aos quadros...
No mais, do que o artista está falando? Sempre faço essa pergunta ao me deparar com uma obra...
Inté!

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